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A Evolução do Venture Capital no Brasil e os desafios durante a crise Adicionado em 06/05/2020
 
“Crises são democráticas nas dificuldades e meritocráticas nas oportunidades”, diz Anderson Thees, do Redpoint eventures

Antes de o mundo enfrentar uma de suas maiores crises de saúde da história e isso afetar as economias de diversos países, o Brasil assistia ao crescimento do mercado de Venture Capital.

Em 2019, o Redpoint eventures foi responsável pelo maior volume de transações divulgadas, segundo dados de ABVCAP e KPMG. Em entrevista ao site da ABVCAP, Anderson Thees, founder e managing partner do fundo de investimentos, fala sobre a evolução do mercado de venture capital no Brasil e os desafios para startups e investidores num momento de crise. Para ele, o pós-crise trará certamente um cenário de oportunidades e crescimento, mas é preciso entender melhor os impactos da pandemia. “A opção mais valiosa para todos agora é chegarmos bem do outro lado”, diz.
 

Leia a entrevista:

Em 2019, a Redpoint eventures se destacou em número de deals fechados. Como esse
resultado reflete o momento do fundo e sua estratégia de investimentos?

Anderson Thees: O número de deals em 2019 não tem nenhum significado especial. Nossa estratégia é bem similar à original, desde a fundação em 2012: apoiar empreendedores que buscam revolucionar mercados grandes, ou criar mercados novos, nas fases iniciais da vida da startup (early stage). O volume maior é uma combinação de fatores, com pipeline super interessante, algumas startups com as quais já vínhamos mantendo contato que decidiram captar. Estamos muito felizes com o portfólio que está sendo formado.


Como você enxerga a evolução do Venture Capital no Brasil?

Tem sido uma evolução longa e robusta. Atuo como venture capitalist aqui desde 2003. Houve vários momentos difíceis para a indústria, o que a meu ver criaram uma fundação muito sólida. Ganhamos “maioridade” nos últimos anos, com a consolidação de uma safra de empresas de portfólio muito saudável, com construção de valor sólida, com nossos melhores anos acontecendo exatamente durante a pior crise econômica da história do país até então. Essa conjunção e descolamento do macro foram uma prova importante para classe de ativos.

O futuro também é incrivelmente promissor, e assim que passarmos pelas turbulências atuais, de pandemia e recessão, as empresas em que investimos (como classe) são exatamente as empresas que terão papel fundamental na reconstrução, aqui e mundo afora, e as que são menos sujeitas às flutuações da macroeconomia como um todo. É claro que as crises atuais são ruins para todos. Trata-se de um problema humanitário e econômico. Mas essa crise vem após o primeiro ciclo completo da indústria de Venture Capital e já temos vários fundos bem capitalizados para enfrentar momentos de instabilidade. Se tivesse ocorrido algo assim dois ou três anos atrás, teríamos um desafio incrivelmente maior.

Com a pandemia de coronavírus afetando diversos mercados e setores, surgem dúvidas sobre como o mercado de Venture Capital pode reagir aos seus efeitos agora e no decorrer do ano de 2020. Como você avalia este momento?

O nosso mercado, em geral, é descolado e resiliente em períodos assim. Várias empresas inclusive se beneficiam, pois é mais fácil “vender” eficiência durante as crises. Essa que estamos vivendo.


Como você enxerga o futuro do mercado de Venture Capital no Brasil após a pandemia? É
possível prever algum cenário?

Não temos dúvida que depois das crises (do Covid e da recessão econômica) haverá uma nova
curva acelerada de crescimento. A “mágica” para as startups agora é garantir que elas cheguem lá, saudáveis e prontas para retomar o crescimento, quando ainda não sabemos ao certo qual será a duração dessa travessia. Mas o papel do mercado de Venture Capital é muito claro: ser peça-chave na construção da nova fase da economia, no mundo todo, e no Brasil em particular. Tanto a oportunidade quanto a missão são enormes. Vai ser um momento incrível e único.


Que dicas você daria para investidores neste momento? E para as startups que buscam
investimento?

Creio que as dicas são muito parecidas: primeiro e taticamente, fazer uma gestão rigorosa de caixa no curto prazo, seja de capital para investir, seja de caixa nas empresas, para garantir que estejamos fortes como indústria na hora da retomada. A opção mais valiosa para todos agora é “chegarmos bem do outro lado”. Em segundo lugar, e mais estratégico, lembrar que as crises são democráticas nas dificuldades e meritocráticas nas oportunidades. Todos sofremos com as consequências ruins das crises, mas apenas os empreendedores (e gestores) perspicazes alavancam as muitas oportunidades que também são criadas. Ao que tudo indica, essa crise será maior em profundidade e certamente em alcance. Mas esse princípio deve prevalecer:desafios e oportunidades igualmente maiores.



Fonte: ABVCAP News - Maio 2020


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