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"Ter um veículo de CVC no Brasil traz sinergia com as unidades de negócio", diz executivo da EDP Adicionado em 28/01/2021
 
Rosario Cannata explica as motivações da multinacional do setor elétrico para criar um veículo de corporate venture capital no país e destaca investimento na Voltbras, startup de mobilidade elétrica, como exemplo de sucesso de trabalho em conjunto com a EDP 

O amadurecimento do ecossistema de startups no Brasil chamou a atenção da portuguesa EDP, empresa que atua em toda a cadeia de valor do setor elétrico no Brasil, motivando-a a estruturar um veículo de Corporate Venture Capital (CVC) próprio, em 2018. O gatilho para a fundação foi a certeza de que ter uma ponte direta entre unidades de negócio e startups traz mais sinergia aos negócios e agilidade. 

"Se existem distâncias, físicas ou culturais, perdem-se oportunidades de trabalhar juntos. Ter uma equipe local, com acesso aos principais diretores e interlocução direta com as startups, amplia a chance de sucesso do CVC", diz Rosario Cannata, executive investment manager da EDP Ventures Brasil, em entrevista à ABVCAP.  

Contar com um veículo próprio de CVC no país viabilizou, por exemplo, o investimento na Voltbras, startup fundada em Florianópolis, em 2018, que produz software de gestão de postos de recarga de veículos elétricos, e que é um dos exemplos de sucesso no relacionamento com as Unidades de Negócio da EDP, segundo Cannata. 

Além da mobilidade elétrica, a EDP encara a energia renovável como frente estratégica de investimento, e classifica como "natural" a aposta em empresas que seguem a cartilha ESG (Environmental, Social, and Governance, na sigla em inglês). "Como uma empresa de matriz majoritariamente energia renovável, a parte 'environmental', ou do meio ambiente, é fundamental e parte da nossa estratégia de investimento", diz Cannata. Confira a entrevista.


Como foi estruturar um fundo CVC, com foco em inovação, em uma empresa vista como tradicional?

Na última década, empresas de todos os setores, incluindo a EDP, têm aumentado o investimento em inovação. O mercado de energia passa por uma transformação, com o fortalecimento das fontes renováveis, a prática de medição de dados e o avanço mobilidade elétrica, entre outras tendências. Para seguir líder no setor de energia, na dianteira dessas transições, foi criada a EDP Ventures, em 2008, em Portugal. No fim de 2018, a unidade de CVC também foi estruturada no Brasil e, no ano passado, na Espanha.


Por que estruturar um CVC no Brasil, se já havia um fundo estruturado na sede portuguesa?

Um dos grandes desafios de investimentos de CVC é aproximar startups das unidades de negócios das empresas. Se existem distâncias, físicas ou culturais, perdem-se oportunidades de trabalhar juntos. Ter uma equipe local com acesso aos principais diretores e interlocução direta com startups amplia a chance de sucesso, sinergia e eficiência. O mercado brasileiro de startups cresceu em ritmo exponencial nos últimos cinco anos e hoje é bem mais atraente para grandes investidores, incluindo empresas. Por ser um mercado relativamente novo, há muitos negócios ainda embrionários. Estar no Brasil ajuda a ter um relacionamento mais próximo com fundos e chegar às melhores startups, em um ecossistema em consolidação.


Investir em inovação e startups é ainda mais imperativo em um contexto de crise, como a causada pela pandemia de covid-19?

No atual contexto, ter um CVC como investidor é uma vantagem. Além de trazer todas as características de um fundo de investimento, há a oportunidade de ter contrato de prestação de serviço e oportunidades de POC e co-desenvolvimento de tecnologias. Continuamos investindo, e encarando esta frente como estratégica. Atuamos em um serviço essencial, e contamos com a ajuda de empresas que nos ajudem a pensar em soluções de forma mais rápida. A inovação não pode parar.


Quão estratégico é o investimento em startups que atuam no mercado de veículos elétricos, considerando que o setor ainda engatinha no Brasil?

Mobilidade elétrica é uma das verticais de crescimento da EDP, no Brasil e Europa, por meio da EDP Smart. É um mercado ainda em crescimento no Brasil, mas potencialmente grande e promissor. Antes de existirem milhões de carros elétricos, será necessária a infraestrutura para atendê-los. Tudo o que diz respeito à prestação de serviços, tecnologia, gestão de eletropostos, entre outros, faz parte da estratégia da EDP. E, por isso, a EDP Ventures ajuda a EDP Smart na busca de soluções. Um exemplo bem sucedido é o investimento feito na Voltbras.


O que motivou a decisão de investir na Voltbras?

O fato de não haver outros prestadores de serviço desse nicho no Brasil. A maioria era estrangeira, com preços mais altos e possibilidade de customização perto de zero. Contribuiu para a decisão o fato de a Voltbras ser brasileira e permitir uma customização maior, por meio de uma parceria de longo prazo. A perspectiva de ter um ganho estratégico e financeiro, no futuro, contribuiu, evidentemente, para entrarmos como sócios minoritários.


Além da mobilidade elétrica, que outras verticais são consideradas estratégicas para a EDP?

Temos verticais de eficiência energética, armazenamento de energia, energias renováveis e soluções com foco no cliente, onde entram os segmentos de mobilidade elétrica e fintechs. E também há verticais de áreas transversais, em que são considerados diversos negócios aplicados ao setor de energia que nos ajudem a ser mais eficientes, por meio de big data, inteligência artificial, legal techs, entre outras tecnologias.


De que forma a EDP encara práticas ESG nas decisões de investimento em inovação?

Energia renovável é uma das nossas principais frentes de investimento. A EDP Brasil tem o objetivo de reduzir em 85% suas emissões de CO2 até 2032, face aos níveis de 2017, e de garantir que, até 2030, 100% da energia gerada pela companhia sejam provenientes de fontes renováveis. Na pauta ESG, temos muita vantagem, pois já investimos em empresas sustentáveis. Empresas que se importam com impacto ambiental já fazem parte do nosso business. Podemos considerar também a área social, se identificarmos potencial estratégico. Um exemplo recente é a Colab, que ajuda a criar uma eficiência da gestão pública, pauta que consideramos bastante relevante e que vai nos ajudar a melhorar a eficiência das nossas Distribuidoras, além de gerar um complemento à renda das pessoas que nos ajudarem na fiscalização.


Quais as tendências de crescimento entre startups que oferecem soluções ao setor de energia?

As soluções com foco no cliente têm um potencial grande de crescimento. O mercado de energia está perto de ser liberalizado. Um morador de São Paulo, por exemplo, poderá escolher sua fornecedora de energia. Isso vai provocar uma mudança radical no setor, pois serão escolhidas as empresas que oferecem o melhor serviço, mais eficientes. Aproximar-se do cliente por meio de serviços, ofertas, para além da energia, é fundamental. Essas soluções ajudarão a manter os clientes e capturar novos. Faremos isso de forma mais rápida com a ajuda de parcerias com startups.


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