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B3: “Estamos vendo empresas investidas mais maduras e preparadas para acessar o mercado” | Entrevista com Gilson Finkelsztain - B3 Adicionado em 21/12/2020
 
Num ano recorde em oferta de ações na B3, grande parte das empresas que chegaram à bolsa este ano receberam aportes de fundos de private equity e também de venture capital. Para o presidente da B3, Gilson Filkenstein, o movimento crescente de ofertas pode ganhar força em 2021 com a retomada do investidor estrangeiro, mas, para isso, responsabilidade fiscal, avanços com a agenda de teto de gastos, além de retomada das reformas, são muito importantes.
A seguir a entrevista do executivo à ABVCAP sobre perspectivas para o mercado de capitais brasileiro.

Este ano tivemos um recorde de oferta de ações. Os motivos para esse movimento tendem a continuar a valer em 2021?

Especialmente a partir de junho deste ano, vimos uma recuperação significativa dos preços dos ativos em bolsa que, combinada com o processo de migração do investimento para o mercado de capitais - impulsionado pela taxa de juros em mínimas históricas – trouxe boas perspectivas para o fluxo de ofertas públicas no curto prazo e médio prazo.
Até o momento, 28 companhias captaram recursos em 2020 via IPOs, representando um volume de cerca de R$ 43 Bilhões. Comparativamente, em 2019 tivemos um volume de cerca de R$ 10 bilhões em 5 IPOs. E até o momento, temos formalmente protocoladas na CVM e B3, mais de 43 ofertas iniciais de ações em 2020. É um movimento realmente intenso e que foi acompanhado por a emissão de dívida, que voltou a ganhar tração e oferecer prazos e custos mais favoráveis para as empresas.
Acredito que se mantendo as perspectivas de juros baixos e inflação sob controle e o processo de migração de investimentos para o mercado de capitais, veremos cada vez mais companhias abrindo capital na bolsa e utilizando instrumentos de dívida disponíveis no mercado de capitais.

Qual foi a participação de empresas apoiadas por fundos de private equity e venture capital nos IPOs de 2020? Se houve protagonismo, por que isso acontece?

Os fundos de private equities foram responsáveis por 56% das aberturas de capital realizadas na B3 desde 2009. Dos IPOs de 2020, a participação dos Private Equities está até o momento em 52%.
Os fundos possuem prazo de desinvestimento dos ativos e o mercado de capitais é uma das alternativas de saída. E em um ambiente mais aquecido do mercado, é natural que os IPOs sejam cada vez mais utilizados como forma de liquidez. Além disso, tem o fator de que as companhias investidas, em geral chegam mais bem preparadas para o mercado.
Uma vez que os fundos costumam agregar em governança, criando práticas de transparência e divulgação de informações aos investidores, criando a cultura de prestação de contas e preparando a empresa para a vida de companhia aberta.
 
Algumas empresas acabaram adiando o plano de abertura de capital por causa da volatilidade do mercado. A expectativa é que 2021 seja mais favorável neste sentido?

A nossa expectativa e do mercado financeiro, é o compromisso do governo com a manutenção de uma agenda de disciplina fiscal, com juros baixos e inflação sob controle.
Esse objetivo precisa ser alcançado, de maneira sustentável, por meio das reformas que já estão na agenda política brasileira há muito tempo. Essa agenda é fundamental para que a gente continue na trajetória de recuperação da economia e amadurecimento do mercado de capitais brasileiro.

O investidor pessoa física foi destaque ao longo de 2020. Quais as consequências desse fenômeno para o mercado de capitais brasileiro, as empresas listadas e aquelas que pretendem abrir o capital?

O crescimento da base de investidores pessoas físicas no Brasil, ultrapassando a marca dos 3 milhões de brasileiros, de fato, impressiona, ainda mais se falarmos que isso aconteceu nos últimos 2 anos. Ficamos por anos na expectativa de saltar de 500 e 600 mil investidores para casa dos milhões.
A volatilidade observada no mercado de capitais e provocada pela pandemia seria um possível motivo para a quebra desse ciclo. Mas não foi o que ocorreu. Pelo contrário, a base de investidores pessoa física seguiu em ascensão.
Além de um crescente material de educação financeira, as pessoas perceberam que é possível começar a investir com pouco; ir além de produtos mais conservadores como a poupança e diversificar logo no início, sem esperar acumular grandes quantias para se movimentar no mundo dos investimentos.
Em pesquisa recente conduzida pela B3 com dados de sua base de investidores, foi possível identificar que os investidores mais jovens dessa nova safra são mais propensos a começar investindo, diversificando e tendo contato com vários tipos de produtos e tendem a enxergar as opções de investimento mais com um mosaico em que é possível transitar livremente em múltiplas direções. Isso é muito benéfico no longo prazo e temos motivos para acreditar que essa é uma mudança estrutural.

Por outro lado, o investidor estrangeiro não parece ter o mesmo apetite pelo mercado brasileiro. Há chances do interesse que vimos no final de 2020 ganhar tração no ano que vem? Do que isso vai depender?

Ainda que em 2020 os investidores locais tenham sido os principais responsáveis por sustentar as ofertas de ações, a retomada do investidor estrangeiro poderá alavancar e sustentar ainda mais esse movimento crescente das ofertas de ações. Vivemos um momento em que há muita liquidez disponível no mercado global e isso pode ajudar no movimento de entrada de recursos em países emergentes, mas além disso, o investidor estrangeiro olha muito o cenário de longo prazo e aí é importante que haja previsibilidade de responsabilidade fiscal e avanços com a agenda de teto de gastos, além de retomada das reformas.

O volume de follow-ons chamou atenção em 2020, sobretudo com a venda de participações do BNDES. Como isso impactou o mercado? Ano que vem, vocês esperam um volume menor de ofertas subsequentes e mais IPOs?

Com o mercado de capitais mais aquecido, é natural que empresas já listadas se utilizem dos follow ons como forma de captação vis a vis outros instrumentos, assim como o aumento da utilização do mercado de capitais como forma de venda de participação de players como o BNDES. Com crescimento e retomada da economia, os follow nos se tornam uma opção muito eficiente de captação para as empresas.

Quais setores ainda estão sub representados na B3 e devem ganhar espaço na bolsa?

Nas ofertas de ações de 2020 tivemos uma grande variedade de setores, contando inclusive com setores os quais não tínhamos ainda representantes em bolsa, como por exemplo, varejistas de produtos para pets, empresa de hospedagem de sites, de cashback, dentre outros. Tivemos IPO de setores que não víamos acessar o mercado há algum tempo, como por exemplo de Óleo e Gás, Logística e Tecnologia, além de vermos um movimento maior de empresas do setor de agronegócio.
E algo interessante que começamos a ver foi a chegada de empresas de serviços com tecnologia embarcada. Até pouco tempo isso era exclusivo de bolsas offshore, mas estamos vendo que os investidores globais buscam boas histórias mesmo que a empresa seja listada somente no Brasil.
Esse movimento deve trazer novos setores e novas empresas para a bolsa.

O investimento de fundos de venture capital foi recorde em 2020. Com um ecossistema de startups mais maduro no país e a aceleração do crescimento dessas empresas, podemos esperar uma nova leva de empresas menores acessando a B3? Podemos ter mais exemplos como a Enjoei?

O ecossistema de Venture Capital passou por um ciclo muito virtuoso nos últimos anos e cada vez mais estamos vendo empresas investidas mais maduras e preparadas para acessar o mercado. E a própria pandemia acelerou bastante a agenda de digitalização no Brasil, contribuindo muito com o crescimento dessas empresas e também gerando um maior interesse dos investidores.
Temos casos emblemáticos de empresas que tiveram ótima performance após processos de estratégia digital, e tudo isso acaba contribuindo para construirmos um cenário mais favorável para que empresas de tecnologia possam acessar o mercado, e para que possamos ter um mercado de capitais que possibilite liquidez não só para os Private Equities como também para os Venture Capitals.

Como levar a cultura de companhia aberta para uma startup?

Se tratando de uma startup investida por um fundo de Venture Capital, costumamos ver empresas bastante avançadas em termos de cultura de companhia aberta, uma vez que em geral já possuem auditoria independente, possuem um board e no qual os fundadores estão acostumados a prestar contas aos investidores e também a fazer pitch para os investidores buscando novas rodadas de captação.
O grande desafio costuma ser a governança corporativa e principalmente os controles internos acompanharem a velocidade de crescimento da companhia. Para esse desafio temos a equipe de relacionamento da B3 que pode auxiliar as companhias através de esclarecimentos e trocas de experiência com empresas já listadas, assim como através dos nossos treinamentos sobre vida de companhia aberta.

Como a B3 pode colaborar para fortalecer esse ecossistema de startups?

Atualmente possuímos diversas frentes de contato com o ecossistema de startups brasileiras em diferentes graus de maturidade. A B3 atua, por exemplo, em programas de aceleração de startups e como investidora de fundos de Venture Capital e temos programas desenvolvidos para trabalhar com essas companhias que possibilitam a troca de experiência entre empresas e treinamentos para as equipes de forma a acelerar esses processos. Acreditamos que essas interações geram ideias e encurtam caminhos. E que, conectando boas práticas às oportunidades de negócios, cumprimos nosso papel de oferecer as ferramentas necessárias para ajudar mais companhias a acessarem o mercado de capitais brasileiro.


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