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Pandemia reforça oportunidades para mercado secundário no Brasil, diz diretor da Lexington Adicionado em 24/02/2021
 
Renato Weiss fala sobre os planos do escritório recém-inaugurado do país e diz que crise reforça o posicionamento de ativos alternativos por oferecer soluções para cotistas e gestores 
 
A pandemia de covid-19 pode estimular o desenvolvimento do mercado secundário de ativos alternativos no Brasil. Em meio à crise, cotistas de fundos anseiam por liquidez e gestores preferem esperar a turbulência passar, em busca de maior rentabilidade, o que abre uma janela de oportunidades para gestoras como a Lexington para prover liquidez aos investidores e capital de longo prazo para gestores, avalia o diretor da empresa no Brasil, Renato Weiss. “Após dois anos de recessão, de 2015 a 2016, e o atual cenário de pandemia, a expectativa é que o mercado secundário cresça cada vez mais. O momento é propício ao segmento”, avalia, em entrevista à ABVCAP. 
 
De olho no amadurecimento das indústrias de private equity e venture capital no Brasil, a Lexington inaugurou em janeiro deste ano o primeiro escritório no Brasil, em São Paulo, o segundo na América Latina, depois de Santiago, no Chile. O objetivo, segundo Weiss, é reforçar a presença na região e estar mais próximos fisicamente de gestores e investidores brasileiros — cada vez mais experientes e qualificados. “A proximidade reforça o relacionamento que já temos e também ajuda a estabelecer novas pontes. Ter presença local facilita a conhecer gestores e companhias melhor do que de forma remota”, diz o diretor da Lexington. 
 
Na América Latina, a Lexington tem investimentos em cerca de 20 fundos administrados por mais de uma dezena de gestores. O Brasil concentra dois terços desse montante, em um mercado crescente, o que pesou para a decisão da Lexington de ter em escritório no país. Segundo Weiss, a gestora está de olho em oportunidades no mercado secundário junto a gestores de excelente qualidade. E ainda que avalia o mercado secundário no país como “incipiente”, vê um grande potencial de crescimento, que deve ser embalado pela consolidação do mercado primário de fundos. Confira trechos da entrevista 


Por que abrir um escritório no Brasil? 

Faz muito sentido estarmos próximos, fisicamente, dos gestores. A Lexington tem investimentos em milhares de fundos, administrados por centenas de gestores, no mundo todo. Na América Latina, são cerca de 20 fundos, por exemplo -- e o Brasil é sede, ou tem escritório, de aproximadamente dois terços dos gestores ativos na região. A proximidade reforça o relacionamento que já temos e também ajuda a estabelecer novas pontes. Ter presença local facilita a conhecer gestores e companhias melhor do que de forma remota. 
 

A conjuntura macroeconômica atual contribuiu para a decisão? 
 
A decisão de abrir um escritório em São Paulo tem um perfil de longo prazo e independente da situação macroeconômica atual. Apesar disso, o momento atual de baixa taxa de juros e o contínuo crescimento e sofisticação do perfil dos investidores contribui. Vemos cada vez mais interesse de famílias, multi-family offices, e investidores institucionais em busca de rentabilidade e de olho em ativos alternativos. Nesse contexto, a presença local nos permite estar próximos a eles também. 


Como o mercado secundário de private equity pode se beneficiar desse cenário? 
 
Nos últimos 12 anos, na América Latina, cerca de US$ 70 bilhões foram captados para fundos de private equity, e boa parte disso ainda segue investido. De um lado, os limited partners (LPs, na abreviação, ou cotistas, em tradução livre) pressionam por liquidez, e, de outro, gestores, que atravessaram diversas crises, esperam mais tempo para que as companhias investidas atinjam um potencial maior de crescimento. Isso cria uma condição muito favorável ao mercado secundário, que atua justamente para resolver essa questão: deixar os cotistas com possibilidade de liquidez, e o gestor com a chance de manter as companhias por mais tempo, para maximizar o retorno do valor investido. 
 

Qual será o foco estratégico da sede brasileira da Lexington? 
 
O escritório de São Paulo complementa a presença da Lexington na América Latina, considerando a sede de Santiago, aberta em 2016, onde trabalhei por cinco anos, e que se mantém. Como centro financeiro da América Latina, São Paulo serve como sede para muitos grupos de private equity nacionais e regionais de alta qualidade, muitos dos quais a Lexington mantém relacionamentos de longa data. Dessa forma, o escritório de São Paulo nos permitirá fortalecer nossa rede existente e estabelecer novos relacionamentos. Além disso, observamos um interesse crescente de family offices e investidores institucionais em opções de investimentos internacionais, e uma base local nos permite estar em contato regular com eles.


Quais os diferenciais da indústria de investimentos do Brasil e que chamou a atenção da Lexington? 
 
A representatividade e o desenvolvimento do mercado de private equity brasileiro são destaques em relação a outros pares da América Latina. No Brasil há diversos gestores, de excelente qualidade, há vários anos, que já passaram por diferentes ciclos, e têm equipes estabelecidas. São profissionais que já levantaram vários fundos, muitos dos quais já investimos. Somos muito próximos de investidores institucionais globais de private equity, incluindo fundos soberanos, de pensão, seguros, entre outros. E, com frequência, vemos fundos brasileiros nessas carteiras. É um momento interessante para ter exposição a private equity no Brasil. 


Há outras capitais da América Latina que estão no radar da Lexington para ampliar a internacionalização?  
 
Por ora, a ideia é manter os escritórios em Santiago e São Paulo. 


No Brasil, como avalia o potencial do mercado secundário de private equity e venture capital, em meio à continuidade da pandemia de covid-19? 
 
Por um lado, a pandemia reforça a tendência de cautela de gestores na hora vender ativos. Alguns podem preferir esperar um momento mais apropriado para isso. Por outro lado, outros investidores buscam mais liquidez, por distintas razões, e o mercado secundário entra justamente para fazer com que todos atinjam seus objetivos. Conseguimos dar liquidez a um LP, investindo em determinado fundo, sempre prezando pela qualidade, e dar mais tempo ao gestor que quiser manter sua carteira de companhias. 


Como avalia a dimensão e o potencial do mercado secundário de private equity no Brasil? 
 
Ainda é incipiente, porque o mercado secundário costuma se desenvolver cerca de dez a quinze anos após o primário. É natural, depois que há uma captação e formação de estoque de fundos primários, é esperado que nos anos seguintes, uma parte desses mesmos fundos sejam negociados no mercado secundário. Se olharmos o fundraising (captação de fundos) de 2010, 2011 e 2014, tivemos picos de desempenho. Vemos alguns fundos se concentrando na mão de alguns players, mas já existe um mercado primário com tamanho suficiente para garantir cada vez mais volume no secundário. Após dois anos de recessão, de 2015 a 2016, e o atual cenário de pandemia, a expectativa é que o mercado secundário cresça cada vez mais. O momento é propício ao segmento.


Por ser incipiente também tem um potencial grande? 
 
Sim, certamente. Em 2021, diversos fundos vintage, 2010 e 2011, fortes de captação, chegarão ao "final da vida". Muitos deles são ativos que passaram por impeachment (da ex-presidente Dilma Rousseff), recessão econômica, covid-19, depreciação cambial, entre outros fatores. E os gestores reconhecem que são companhias de ótima qualidade, e não querem ter a obrigação de vendê-las às pressas. Sabem que se ficarem mais um tempo, conseguiriam multiplicar o valor dessas empresas. Essa percepção coletiva fortalece o potencial do mercado secundário no Brasil. 


Ainda que invista em fundos e não diretamente em empresas, quais setores são mais representativos na carteira da Lexington? 
 
Cada fundo nosso faz quase uma centena de transações, comprando participação em cerca de 500 fundos, e milhares de companhias. De maneira global, essas empresas são de setores que os gestores de private equity no mundo também investem. Hoje, os setores mais representativos na nossa carteira são cuidados de saúde, tecnologia da informação, serviços financeiros, e consumer. No Brasil, são basicamente esses mesmos setores, sobretudo os três primeiros. São setores em geral resilientes, à prova de volatilidade. 


De que forma a posição de líder no mercado secundário garante um diferencial estratégico no Brasil?
 
A liderança no mercado secundário é fundamental, mais importante do que primário. Isso porque, naturalmente, obtemos exposição a fundos privados e não líquidos, com informações que não são públicas. Quando olhamos uma carteira de investimentos de dezenas de fundos de private equity e centenas de companhias subjacentes, a melhor forma de ter acesso a informações é já ser investidor desses fundos. Esse é o caso da Lexington: somos investidores em milhares de fundos, gerenciados por centenas de gestores. Outro motivo é que as transações do mercado secundários costumam movimentar volumes grandes, às vezes superiores a US$ 1 bilhão. Nesse sentido, ter fundos robustos nos ajuda a oferecer uma solução completa aos vendedores.


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