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CEO da Vinci vê 'avenida de crescimento' ao Private Equity brasileiro Adicionado em 24/02/2021
 
Alessandro Horta avalia que momento é propício à diversificação e comenta fase pós-IPO, com foco na aceleração de produtos de investimentos alternativos no país

Em linha com as expectativas internas, o IPO da Vinci Partners levantou cerca de US$ 275 milhões no último dia 28 de janeiro. O capital, avaliado como "superpositivo" pelo CEO da gestora, Alessandro Horta, será estratégico para acelerar o lançamento de produtos de mercados privados no país. "Usaremos o valor levantado para fazer o seeding (capital inicial) e atrair recursos de clientes, colocando compromisso da Vinci para catalisar esse processo", disse o executivo, em entrevista à ABVCAP.

O plano da companhia é usar o dinheiro para que a Vinci se torne cotista dos fundos que pretende lançar, com uma exposição menor, e captação de recursos de terceiros. A empresa mira as quatros áreas de atuação do segmento de mercado privado: private equity, infraestrutura, real estate (imobiliário) e crédito privado. Em paralelo, diz Horta, mira eventuais aquisições, já que vê um movimento de consolidação no setor financeiro, incluindo gestoras de investimentos alternativos.

Por ser um mercado em consolidação, Horta avalia que há uma "avenida de crescimento" para a indústria de private equity no país. "O momento é propício ao crescimento da indústria de investimentos alternativos no Brasil. Quando olhamos especificamente a indústria de Private Equity, há um caminho, uma 'avenida' muito grande de crescimento potencial", avalia. Segundo o executivo, reforçam o cenário favorável o atual patamar de juros baixos e migração de ativos da renda fixa, rumo a ativos de maior risco. Leia trechos da entrevista. 


Por que a decisão de abrir capital na Nasdaq e não no Brasil?

Basicamente por não existir uma indústria pública de gestão de recursos no Brasil, de uma perspectiva de empresas listadas. O investidor global está mais acostumado a analisar empresas públicas da indústria de gestão de recursos alternativos. A decisão foi para ter uma abrangência e falar com um perfil de investidor que já está acostumado a olhar esse tipo de investimento. O mercado de capitais brasileiro tem bastante qualidades, mas, na indústria de investimentos alternativos, onde atuamos, existe lá fora muito mais opções, profundidade e tempo com empresas públicas do ramo listadas. Isso facilita o entendimento e o universo de investidores que olham para esse tipo de ativo. 


A abertura de capital no exterior fortalece a internacionalização da Vinci?

Acredito que sim, mas nosso foco principal é Brasil. O objetivo de levantar capital, totalmente primário, sem vender ações dos atuais sócios, é de investimento e expansão no mercado brasileiro. Isso para aproveitar oportunidades da migração de investidores da poupança e produtos de renda fixa em direção a outros tipos de ativos, incluindo os alternativos. A internacionalização faz sentido do ponto de vista de divulgação lá fora da nossa marca e das oportunidades mercado nacional. No momento atual, no entanto, uma expansão internacional não é nosso foco.


Como avalia os US$ 275 milhões levantados no IPO mais oferta suplementar?

É um número que queríamos, exatamente o nosso target (alvo). Avaliamos de forma super positiva. Tínhamos um foco de oferta base de US$ 250 milhões e o lote suplementar, de US$ 25 milhões, elevou um pouco mais esse valor.


Como esse dinheiro será usado?

A ideia principal é acelerar o lançamento de produtos de mercados privados. Usaremos o valor levantado para fazer o seeding (capital inicial) e atrair recursos de clientes, colocando compromisso da Vinci para catalisar esse processo. Refiro-me a produtos de quatro áreas de negócio: private equity, infraestrutura, real estate (imobiliário) e crédito privado. Já temos um pipeline para usar os recursos. Nossa lógica é usar o capital levantado para sermos cotistas, com exposição menor, de todos os fundos lançados, e captar recursos de terceiros. Acreditamos ser importante que a empresa se comprometa a participar como cotista de todos os fundos que lançamos.


Aquisições estão no radar de vocês? Se sim, de quais empresas ou setores?

Sim, isso está no radar e terá de ser feito de forma estratégica, à medida que as oportunidades apareçam. Acreditamos que existe um caminho de consolidação da indústria de serviços financeiros e gestão de investimentos alternativos. Esse processo inclui, eventualmente, por aquisições. Sobre setores, a Vinci é uma companhia com bastante diversificação, do ponto de vista de estratégia de gestão de recursos e de classes de ativos. Dito isso, pode haver oportunidades de consolidação nas mais diversas áreas, com foco em mercados privados.


Como foi fazer um IPO completamente virtual e fora do país? 

Foi superinteressante. Conseguimos acessar um número muito grande de investidores, sobretudo por não ter de fazer o deslocamento físico. Houve muita facilidade para fazer reuniões. De manhã, estávamos, por exemplo, em Singapura, na Ásia; depois, de tarde,  em Londres, na Europa, e, por fim, em Nova York e São Francisco, na América do Norte, para terminar o dia. Conseguimos ter uma abrangência geográfica e um alcance muito grande. No futuro, esse aprendizado, nosso e de todos que tiveram de fazer abertura de capital e outras operações, como roadshow virtuais, será a norma. Mesmo depois da pandemia, quando a situação se normalizar, podemos ter viagens, mas não circularão tanto como antigamente, porque essa nova dinâmica se mostrou bastante eficiente.


Qual a diferença em lidar com clientes institucionais e tratar diretamente com investidores para a listagem de ações?

Há diferenças. Os investidores (para a listagem de ações) são mais focados na história da companhia, diferente de quando captamos para um fundo de longo prazo, que olham mais para a capacidade de investimento. Os investidores também têm um conhecimento mais focado nesse mercado, e incluem gestores de portfólio que cobrem o setor de investimentos alternativos globalmente. O entendimento da indústria desse perfil de investimento é muito profundo.


Como vê a situação atual e o potencial de produtos de investimentos alternativos no Brasil, em meio ao cenário de pandemia e recuperação gradual da economia?

Está tudo "a ser feito" na parte de investimentos alternativos no Brasil. A penetração desses produtos é muito pequena, em qualquer tipo de métrica ou perfil de investidor -- estrangeiro, local, institucional, pessoa física, entre outros. As variáveis macro que impulsionam são favoráveis: temos juros em níveis civilizados e uma necessidade de realocação de ativos na poupança e diversificação. O crescimento potencial é muito grande. Na parte de mercados privados, é gigantesca; em soluções de investimentos (asset allocation), também. O momento é propício ao crescimento da indústria de investimentos alternativos no Brasil. Quando olhamos especificamente a indústria de Private Equity, há um caminho, uma "avenida" muito grande de crescimento potencial.


De que forma avalia o atual momento da Bolsa brasileira, com recorde de IPOs: ponto fora da curva ou sustentável?

Como player de mercado privado, sempre olhamos esses movimentos. A atividade atual do segmento é extremamente benéfica e consequência da migração de recursos da renda fixa. Atualmente há mais capital, gestores, fundos e volume sob gestão no país, o que traz mais necessidade de investimentos. O Brasil teve períodos longos de mercado de capital fechado, e que agora se torna mais líquido e profundo, o que é uma tendência que espero que continue. Agora, é difícil precisar se o atual volume (movimento por IPOs e follow ons) e atividade se manterá nos mesmos patamares.


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